A Cabana: o cristão deve ou não assistir ao filme?

Filme trás à tona debates teológicos que chegam a gerar divisão entre líderes cristãos

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Baseado no best-seller de William P. Young, o filme A Cabana, que irá estrear no dia 6 deste mês nos cinemas do Brasil, conta a história de Mackenzie, vivido por Sam Worthington, que após um trauma ocasionado pelo sequestro de sua filha, a qual acredita ter sido brutalmente assassinada e escondida em uma cabana. Abalado emocionalmente, Philip entra em profunda depressão e embarca numa jornada espiritual para resgatar sua fé.

A notícia da estreia do filme A Cabana trouxe à tona novamente as discussões entre os considerados líderes religiosos, a qual foi muito intensa, entre os anos de 2007 e 2009, período em que o livro foi lançado e se consolidou como Best seller mundial, respectivamente.

Roger E. Olson, teólogo batista, publicou um artigo no portal Patheos, comentando as críticas relacionadas à mensagem que o longa metragem e o livro transmitem. Ele considera as discussões superficiais, por atentarem apenas as características da história que geram debates meramente teológicos, como por exemplo, o fato de Deus ser representado como uma mulher negra.

“Posso apenas dizer que estou muito desapontado com as respostas dos cristãos evangélicos ao livro e ao filme. Em minha opinião, alguns são extremamente superficiais e desdenhosos”, comentou o teólogo.

Para Olson, A Cabana apresenta uma “mensagem cristã muito forte, sem ser um sermão ou palestra”, isto de forma didática, o que facilita a compreensão sobre temas complexos da teologia cristã. Segundo o professor, “Não precisamos concordar com todos os pontos da mensagem, mas acredito que é sempre importante, especialmente para os cristãos, ter discernimento bíblico ao ler qualquer livro ou assistir a qualquer filme”, ​​frisou.

Para alguns o discurso de Olson é uma resposta ao presidente do Seminário Teológico Batista do Sul, Albert Mohler Jr., que fez dura critica ao enredo de A Cabana por causa da representação de Deus, afirmando que “a Bíblia adverte contra qualquer representação falsa de Deus e chama isso de idolatria”.

Debates no Brasil

O mesmo debate que hoje esquenta as rodas de discussão teológica mundo afora por causa do filme, se instalou no Brasil anos atrás, quando o livro foi lançado e se tornou um sucesso de vendas.

Em 27 de abril de 2009, a Igreja Batista de Água Branca (IBAB) promoveu um debate moderado pelo pastor Ed René Kivitz, com a participação de Ariovaldo Ramos e Ricardo Quadros Gouvêia, professor de filosofia da Universidade Presbiteriana Mackenzie.

Ariovaldo Ramos – que à época não se prestava à militância política esquerdista, mas ao ensino das Escrituras – disse que o livro oferecia um vislumbre de questões que atormentam a humanidade e que, como literatura, poderia oferecer ao leitor um caminho para a compreensão do perdão.

“Não pode ser tratado como teologia. Em seu livro, William P. Young foi corajoso por chegar na questão: ‘Onde estava Deus quando eu estava sofrendo?’, tenta falar de um problema complexo do qual a humanidade se identifica. Aborda o sofrimento, doutrina da trindade, perdão e a respeito daquilo que nos aproxima ou afasta de Deus”, descreveu Ramos.

“O autor não escreveu o livro com grandes pretensões, porém, uma das ideias do livro é: ‘Viver é sofrer, e todo o juízo de Deus passa pelo sofrimento’. As pessoas anseiam pelo Deus descrito no livro. E aos que apresentam Deus; tais como pastores, líderes e etc; talvez não o façam como deveria ser, de acordo com o vício religioso de adorar aquilo que temos medo ou pavor, porém, o autor mostra que pessoas podem adorar aquilo que amam e amar aquilo que adoram. Cito um amigo, Machado: ‘Teologia é uma arte e não uma ciência’”, acrescentou.

Já Quadros Gouvêia enfatiza que o livro ajuda entender que o Evangelho não oferece uma resposta para o sofrimento, e sim, que há apoio divino para a superação das dificuldades inerentes à vida.

“O problema do sofrimento humano não tem solução. O Evangelho não é como as outras [religiões], não tem por obrigação resolver o problema humano. O Evangelho não é uma religião e sim o substituto, o contrário da religião. O autor mostra um Deus que sofre conosco, por nós e abraça a condição humana. Por isso, quem somos nós diante de Deus para não sofrer? Devemos reconhecer que o sofrimento faz parte da humanidade”, explicou.

“No livro o autor entende que o sofrimento é consequência da maldade humana a partir da queda. O sofrimento humano levou Deus ao sofrimento. Deus sofre em Cristo. A independência é fruto da possibilidade do ser humano em decidir, e decidem errado. No livro, quando Deus é questionado em relação ao que faria a respeito do sofrimento humano, a resposta é que Deus já fez através de Cristo na cruz. Os seres humanos atraíram o sofrimento”, ponderou Ariovaldo Ramos.

Sobre a abordagem feita pelo escritor a respeito da soberania de Deus e sua postura diante da consequência do pecado, Quadros Gouvêia disse considerar o livro “bastante conservador”, trazendo uma representação prática do conceito do pecado.

“[A Cabana] fala da soberania divina e do pecado original, retrata a Trindade. Estamos no século 21, na pós-modernidade, o pecado não é uma ideia ou um conceito teológico, e sim uma realidade. Ter fé em Deus não implica no abandono da insegurança. Corremos o risco de não nos indignarmos suficientemente com a maldade”, observou, fazendo menção a um trecho do livro, que diz que “a fé não cresce na casa da certeza”.

Ao final do debate, Ariovaldo Ramos resumiu de que se trata o livro: “O grande anseio da humanidade hoje é o de ser amado, essa é a proposta do autor”.

Lançado em 2007, o livro de Young vendeu mais de 18 milhões de cópias ao redor do mundo e foi traduzido para 39 idiomas. Só nos Estados Unidos, foram mais de 10 milhões de unidades fazendo com que a obra permanecesse no topo do ranking dos livros mais vendidos do The New York Times por 180 semanas consecutivas. No Brasil, o título se manteve também ocupou a mesma posição em 2009.

O Cristão deve ou não ler o livro e assistir ao filme?

Todo bom cristão deve, sempre que ler qualquer livro, ou assistir qualquer filme, entender que necessita sempre viver a luz do que diz a bíblia, porém, também é preciso discernir se o livro ou longa metragem em questão se trata de entretenimento ou ensinamento bíblico.

O fato de assistir ao filme A Cabana não obriga ninguém a concordar com ele, mas não assisti-lo também é um direito de qualquer um. Lembre-se que a tolerância deve ser exercitada a todo o momento e sobre todas as coisas.

Com informações de Gospel mais.

Assista ao trailer oficial do filme:

 

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