Cozimento da maniçoba pode levar uma semana; veja cuidados especiais

Prato de origem indígena à base da folha da mandioca e de alto valor nutricional é um dos principais pratos da culinária paraense. Mas a iguaria - consumida o ano todo - precisa de cuidados especiais na hora do preparo e moderação na hora do consumo.

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O prato típico famoso entre os paraenses vem de uma incrível história. Afinal, o preparo exige paciência e dias de cozimento. Vamos conhecer um pouco da história deste prato tão paraense quanto o açaí.

De origem indígena, a maniçoba era o prato feito pelos índios para celebrar ocasiões especiais. A matéria-prima da maniçoba é a maniva. Folha oriunda da mandioca. A folha de maniva é extremamente tóxica, por isso seu cozimento deve ser feito em aproximadamente uma semana, para que possa se livrar das toxinas, e finalmente poder ser consumido. Na época indígena, relatos revelam que os índios costumavam triturar as folhas de maniva e as deixar cozinhando por dias, enquanto saíam para caçar. Os animais abatidos na caça eram colocados junto com as folhas, e assim acabou surgindo a maniçoba.

Hoje em dia o prato continua sendo preparado da mesma forma. Fervido de 5 a 6 dias, e depois acrescentando qualquer carne ou ingredientes de seu gosto. Este sofreu a influência dos colonizadores brancos, que acabaram adaptando a receita indígena com a adição de defumados. Hoje em dia o prato é servido assim aqui no Pará.

Cuidado no preparo
A Dra. Kendra Gonçalves – nutricionista ressalta que os cuidados com a maniçoba precisam estar presentes desde o preparo, como o tempo de cozimento exigido de uma semana. A exceção é se a maniva for adquirida pré-cozida, o que reduz para cerca de três dias. Caso o prato seja preparado desrespeitando essas orientações, o consumo pode causar intoxicação, dor de estômago, mal-estar e, em casos extremos, levar até a morte. “Mesmo o alimento sendo preparado com todo o cuidado, é preciso ter atenção, pois o consumo exagerado de gordura não é indicado”, diz.

Valor nutricional

Maniva é rica em cálcio, ferro e vitaminas A e C

Além da maniva cozida, à maniçoba é acrescentada carnes de porco, de gado, charque, defumados como chouriço, bacon e linguiças. Ou seja, é um prato salgado. “Quem tem hipertensão, colesterol alto ou diabetes deve preferir a maniçoba “light”, feita com carnes magras e sem embutidos”, sugere a nutricionista.

maniçoba

Com relação ao valor nutricional, Kendra diz que a maniva em si é um alimento muito rico, fonte de cálcio, ferro e de vitaminas C e A, além de proteínas. “A folha tem grande propriedade nutricional. O cálcio auxilia na formação óssea, o ferro na produção da hemoglobina e as vitaminas na prevenção de gripes, resfriados e infecções”, explica a nutricionista. Vale lembrar, no entanto, o alto valor calórico do alimento. Uma única porção tem 1200 calorias e é rica em sódio e gordura, por conta dos embutidos e defumados. Portanto, a palavra mágica para os amantes da maniçoba é moderação.

Maniçoba vegetariana

O prato tradicional ganhou versões vegetarianas em Belém. No lugar das carnes e embutidos, é usada a proteína de soja, o provolone, a salsicha vegetariana, a castanha-do-pará e a castanha-de-caju. Quem provou, aprovou.

Evitar o excesso

Como a maniçoba é um prato forte, o Dr. Júlio Fialho Barreto, chama atenção para o consumo de quem sofre com alergia, sensibilidade ou intolerância alimentar. “Em Outubro por ocasião da festa do Círio, muitos pacientes chegam ao hospital com quadro dispéptico (dificuldade de digestão) provocado pelo consumo excessivo de álcool e de alimentos”, revela o médico, referindo-se ao domingo do Círio, depois dos excessos do tradicional almoço.

Ele afirma que o problema não está no alimento em si, mas no excesso do consumo. “A associação à bebida alcoólica causa desconforto. Por ter muito condimento, tem maior propensão a causar mal-estar, principalmente se a pessoa for hipertensa”, detalha. A Maniçoba deve ser consumida sem excessos

maniçoba

Júlio Barreto aconselha os pacientes que retiraram a vesícula biliar a não exagerar. “Como eles têm dificuldade para digerir a gordura, precisam ter cautela para não apresentarem desconforto”, detalha. No caso dos diabéticos, explica Barreto, a gordura do alimento eleva a glicemia. Assim como a nutricionista, o médico aposta na maniçoba light como substituição: “Uma boa opção é maniçoba light, mas sempre na quantidade adequada”.

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